No século XIX, sobretudo a partir das primeiras décadas, Resende se consolidou como uma região cafeeira, favorecida pelo solo, pelo clima, pela proximidade do Rio de Janeiro e pelas rotas de escoamento.
A tese de Ênio Oliveira indica que a Vila de Resende já possuía status exportador de café em 1802; a história oficial do município conta que o café se tornou sua grande riqueza na década de 1840 e que, em 1848, era transportado em lombo de burros até Angra dos Reis.
Nesse contexto regional, a Fazenda Três Pinheiros se inseria numa rede de pousos, entrepostos e caminhos que atravessavam a Mantiqueira. A propriedade era um ponto de descanso no pé da serra, onde homens, animais e mercadorias podiam se recompor antes da subida.
A fazenda teria pertencido ao Visconde do Salto e, depois, teria funcionado como entreposto de mercadorias transportadas em mulas e burros. A antiga casa, uma construção ampla de pau a pique e feição colonial rústica, guarda a lembrança de um tempo em que a vida rural, o comércio e a estrada se encontravam ali. Segundo a memória da família, foi ali que a Princesa Isabel e o Conde D'Eu pararam em 1868, a caminho de Caxambu, em busca das águas minerais.
Um edital de leilão judicial publicado em jornal de 1869 traz a primeira comprovação documental direta da propriedade: anuncia a arrematação de "uma fazenda denominada Três Pinheiros", com casas de morada, tulhas, rancho, senzala, dois monjolos, pomar e pés de café.